Zombieland (2009)

Se há aspecto que prefiro no zombie flick em comparação com o de vampiros é que no primeiro não é possível “inovar” por aí além. Quando falo de “inovar”, faço-o num sentido pejorativo, ou seja, no de “apaneleirar”. Pode-se variar a origem do fenómeno (radioactividade, vírus incontrolável, ritual vudu…), a aparência dos mortos-vivos ou até características acessórias como a velocidade a que se deslocam e a forma como comunicam. Agora o que não espero mesmo ver é algo como um zombie emo de poupa que estuda no ensino secundário e cujo maior propósito na vida é papar uma colega – infelizmente, não no sentido que devia – e vender posters para quartos de pitas. Ao contrário da vampiragem, os zombies nada podem ter de sedutor: são feios, porcos e maus e não descansam enquanto não te devorarem os miolos. Básico? Sim, mas na verdade não esperamos outra coisa. É só seguir a cartilha elementar de George A. Romero.

No entanto, há uma outra abordagem possível, alternativa à do terror duro e cru, a que nem este subgénero escapa: a paródia. Já o vimos ser feito por exemplo no hilariante Shaun of the Dead (2004) ou em Fido (2006), mas é com Zombieland (2009) que este “sub-subgénero” gera pela primeira vez um blockbuster.

Zombieland conta-nos a história de um nerd (Jessie Eisenberg)apenas conhecido por nós pelo nome da sua terra, Columbus – que julga ser a única pessoa viva nos EUA após uma epidemia zombie ter devassado o país. Columbus atribuí a sua sobrevivência ao cumprimento religioso de um vasto conjunto de regras como Olhar sempre para o banco de trás ao entrar no carro, Evitar as casas de banho públicas ou Manter-se em boa forma física – por alguma razão os gorduchos foram os primeiros a ser comidos. Decidido a regressar a casa para averiguar se os pais estão bem, no caminho une esforços com mais três resistentes: Tallahassee (Woody Harrelson), um durão especialista em massacrar zombies e viciado em Twinkies, e as irmãs Wichita e Little Rock (Emma Stone e Abigail Breslin, respectivamente), duas vigaristas cujo objectivo é chegar a um parque de diversões que acreditam estar livre de zombies.

Mesmo não estando ao nível do irresistível humor britânico de Shaun of the Dead (título em que o realizador Ruben Fleischer assumidamente se inspira), Zombieland em nada desilude os fãs do género (e não só): seja pela química entre os antagónicos Eisenberg e Harrelson (o primeiro é uma espécie de Michael Cera com mais talento e melhores opções de trabalho, o segundo interpreta um lunático como ninguém), pela curiosa mistura de cuteness e badalhoquice de Emma Stone, pelo humor mordaz que raramente cai na vulgaridade, pelas homenagens cinéfilas ao género (a que não falta o indispensável gore) ou até por uma banda-sonora fulgurante que abre ao som de For Whom the Bell Tolls de Metallica, o filme apresenta-se como uma das melhores propostas de entretenimento dos últimos dois/três anos.  E já agora, mereceria sempre uma menção honrosa nem que fosse apenas por nele constar um dos melhores e mais bizarros cameos de sempre. De quem? Uma pista: iniciais BM… e não é o Bob Marley.

 

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