Machete (2010)

Primeiro que tudo, passemos ao facto mais relevante acerca deste Machete (2010): Jessica Alba (Sartana), uma das mais ferozes competidoras pelas posições cimeiras das várias listas de mulher mais sexy do planeta (incluindo a minha), tem uma cena de nudez. Quer dizer, quase. Não só não é nudez frontal (full-frontal), como ao que parece a tal sequência no chuveiro foi filmada com a menina vestindo lingerie branca posteriormente apagada pelos magos do Photoshop – que aproveitaram também para lhe enrijecer a barriguinha e aumentar o peito. É verdade que Alba desde cedo revelou em várias entrevistas que nunca filmaria uma cena completamente nua, e para este filme o seu contrato incluía uma cláusula que a salvaguardava da exigência de filmar em tais condições pecaminosas. Aproveito este facto para uma reflexão pessoal: sinceramente, nunca percebi a eficácia deste artifício, ou de recorrer a duplos para as cenas de nudez. Tudo bem que evitam a exposição perante os companheiros de elenco e a equipa de filmagem, mas e quanto às milhares ou milhões de pessoas que verão o filme no cinema ou na televisão? A não ser que os créditos iniciais (ou até a própria cena em si!) incluam um disclaimer informando que aquilo não é o que parece, para a esmagadora maioria das pessoas, incluindo a população masculina que consoante as circunstâncias ou soltará um piropo alarve ou terá de cruzar as pernas para camuflar o súbito inchaço entre as pernas, ou a avozinha escandalizada que soltará um “hoje em dia estas actrizes são todas umas badalhocas!”, aquilo que verão no ecrã será factual. Tal só faria sentido numa perspectiva zen do tipo “sei que não filmei nua e o meu papá também, e não me interessa que milhões de pessoas acreditem no contrário”.

Quanto ao filme em si, Machete é tudo aquilo que se esperava, uma apetitosa ode à chungaria, com membros cortados, sangue a rodos, vísceras ao léu (incluindo uma fabulosa cena onde Danny Trejo faz rappel com os intestinos de um pobre coitado), gajas boas e nuas (ou quase), one liners memoráveis – You just fucked with the wrong Mexican; God has mercy, I don´t!; Machete don’t text – e um protagonista monossilábico – Trejo, um eterno secundário/figurante que encabeça o elenco pela primeira vez na vida – que esventra mauzões e papa mulheres a um ritmo alucinante. O elenco ao dispor de Robert Rodriguez  é também um dos pontos de maior interesse no filme, particularmente pela sua heterogeneidade: mistura um monstro sagrado como Robert De Niro com estrelas do mainstream actual como Alba e Michelle Rodriguez  e ainda uma impressionante colecção de lendas chunga/has beens como Steven Seagal, Don Johnson, Jeff Fahey, o próprio Trejo e mesmo Lindsay Lohan, num papel que é também uma deliciosa autoparódia ao seu estilo de vida desregrado e decadente.

No meio de todo o brainless fun, Rodriguez ainda arranja forma de meter um osso para aqueles que procuram sempre encontrar uma mensagem mais séria, neste caso incidindo sobre a imigração ilegal e as restrições cada vez mais duras impostas pelos estados americanos fronteiriços à entrada e legalização de cidadãos mexicanos no país.

Tudo somado, temos assim um dos objectos mais interessantes deste ano cinematográfico, sem falsas pretensões e cujo maior objectivo é homenagear um género moribundo que ainda preserva um lugar muito especial na memória de muitos cinéfilos que cresceram e se fizeram homens sob a influência de anti-heróis como Machete. Venham então os “anunciados” Machete Kills e Machete Kills Again!    

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2 respostas a Machete (2010)

  1. cine31 diz:

    Boa análise! Um dos meus divertimentos favoritos do ano passado!
    O blog já está nos Favoritos😉

    http://cine31.blogspot.com

    • Obrigado. E agradeço também a visita.🙂 Logo passo pelos blogs dos links que puseste – agora não posso porque supostamente deveria estar de roda da contabilidade de uma empresa de lápides em granito. :S

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