The Messengers (2007)

De forma a resolver problemas do foro emocional, a família Solomon decide deixar Chicago e mudar-se para uma quinta isolada no Dakota do Norte, onde Roy (Dylan McDermott), o pai, espera sustentar os outros três membros do agregado familiar – a esposa Denise (Penelope Ann Miller) e os filhos Jess (Kristen Stewart) e Ben (Evan e Theodore Turner) – através do cultivo de girassóis. Pouco tempo após a chegada, Roy contrata como ajudante John Burwell (John Corbett), um prestável agricultor que se prontifica a trabalhar apenas por comida e dormida até que surjam os proveitos da primeira colheita. Tudo parece correr bem até que Jess se começa a aperceber de estranhos fenómenos sobrenaturais dentro e em redor da casa, acontecimentos esses que Ben parece sentir com mais frequência. A curiosidade inicial de Jess cedo evolui para sentimentos de pânico e horror a partir do momento em que é atacada pelas entidades que assombram a casa, mas os pais recusam-se a acreditar nela em virtude de um episódio traumático no seu passado recente. Por contra própria, Jesse investiga o passado da casa e descobre que a família que a havia ocupado anteriormente desaparecera de forma misteriosa seis anos antes. Ou será que nunca chegaram a deixar o seu lar?

Os gémeos chineses Danny e Oxide Pang despertaram a atenção dos cinéfilos a nível internacional quando realizaram Bangkok Dangerous (1999) e principalmente Gin Gwai (2002) – mais conhecido pelo título internacional The Eye e inspiração para o inevitável remake americano do mesmo nome com Jessica Alba – um dos bons filmes de terror da vaga asiática no início da década. Tornou-se então inevitável o salto para Hollywood e o seu bilhete de entrada foi este The Messengers, onde retomam o género e a temática do seu sucesso anterior: terror e histórias de fantasmas. Mas se Gin Gwai surpreendeu pela frescura que trouxe a um género cada vez mais saturado e nos foi capaz de deixar pregados à cadeira com cenas de cortar a respiração – como a inesquecível sequência no elevador – The Messengers acaba por desiludir em toda a linha, já que se limita a apostar em truques baratos para assustar o espectador. Falo em concreto das entradas de rompante em cena de elementos até então ocultos, com o som a aumentar vários decibéis de modo a hiperbolizar o efeito da manobra. Claro que cenas dessas são inevitáveis em qualquer obra do género, mas aqui os Pang abusam: de 2 em 2 minutos somos bombardeados com corvos a voarem a cem à hora sabe-se lá de onde, cadáveres a subirem pelas paredes como o Homem-Aranha, portas a bater com estrondo. Isto vai-se passando até se tornar a tal ponto previsível que perde totalmente o efeito desejado.

O argumento, além de pouco original – apesar de um interessante twist no final – apresenta ainda alguns buracos e incongruências de difícil explicação. Sem me querer alongar muito para evitar spoilers, ainda agora me interrogo sobre o papel de William B. Davis (o eterno cigarette man de The X-Files) em tudo aquilo, parecendo a sua uma personagem desnecessária não fosse o caso de constar no flashback da de John Corbett após o ataque dos corvos.

Por outro lado, o elenco preenche os mínimos necessários para uma fita do género, incluindo Kristen Stewart, a nova musa dos fanáticos da vampiragem adolescente, aqui ainda num papel pré-Twilight. Apesar de parecer politicamente correcto hoje em dia entre a comunidade cinéfila dita “mais esclarecida” criticá-la, continuo a achar que Stewart é uma actriz com potencial, como mostrou pela sua ainda precoce presença em Panic Room (2002) de David Fincher ou mais recentemente no belíssimo Into the Wild (2007) de Sean Penn. Mas talvez se devesse lembrar do exemplo de Leonardo Di Caprio e do quão difícil é recuperar a credibilidade enquanto actor a partir do momento que nos tornamos num ídolo teen.

Apesar do trabalho dos actores e da algo inédita decisão de filmar quase integralmente de dia – pouco usual num filme de terror – The Messengers não trouxe nada de novo ao género nem que o distinga das dezenas de títulos de terror adolescente que todos os anos invadem as salas de cinema, o que nem seria forçosamente de lamentar não fossem as expectativas criadas pela direcção dos irmãos Pang. Um filme para ver uma vez, apanhar alguns sustos e esquecer de seguida. 

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