The Bridges of Madison County (1995)

Iwoa, anos 60. Francesca Johnson (Meryl Streep) é uma imigrante italiana de Bari, que veio para os EUA duas décadas atrás com o seu actual marido, Richard (Jim Haynie), que na altura combatia na Europa em plena II Guerra Mundial. Professora de profissão e vocação, Francesca viu-se obrigada a deixar o ensino para criar os dois filhos, Michael (Victor Slezak) e Carolyn (Annie Corley), e cuidar da quinta do marido, situada na América profunda, abdicando assim das suas ambições pessoais e sonhos de menina.

A existência rotineira e incipiente de Francesca sofre um forte abalo quando, no primeiro dos quatro dias de ausência do resto da família, um estranho conduzindo uma pickup lhe pára à porta, pedindo direcções para a ponte Roseman. Ele é Robert Kincaid (Clint Eastwood), um fotógrafo da National Geographic, vindo de Washington para fotografar as pontes cobertas do Iowa. O que começa por ser um mero encontro casual vai-se gradualmente transformando numa grande paixão, pois a sensibilidade e o espírito aventureiro e espirituoso de Robert trazem à tona as frustrações e a infelicidade de Francesca em relação ao seu modo de vida pacato. Perante o iminente regresso da família, Francesca terá de tomar uma decisão que a atormenta: permanecer fiel ao marido e à família e contentar-se com uma existência segura mas frustrante, ou fugir com Robert rumo à incerteza do desconhecido?

 

Durante muito tempo este The Bridges of Madison County permaneceu quietinho na minha lista de filmes a ver, constantemente ultrapassado por outros na sua esmagadora maioria de inferior qualidade. Isso aconteceu porque, embora sendo eu um grande fã do trabalho de Eastwood (nomeadamente aquele desempenhado na última década), desde muito cedo rotulei-o de forma inconsciente como “filme de gaja”. Não me interpretem mal, pois não sou propriamente um daqueles grunhos para quem o Van Damme é Deus e o Jason Statham é Cristo renascido. Mas quando tens “n” mulheres a dizer-te que choraram baba e ranho a ver o filme é natural que penses estar na presença de mais um Steel Magnolias (1989) ou de um Terms of Endearment (1983), um daqueles melodramas de fazer chorar as pedras da calçada.

Felizmente, não é o caso desta adaptação da obra literária de Robert James Waller. Sim, é verdade que a certo ponto apela à lágrima que homem que é homem não quer brotar, mas fá-lo com aquilo que se tem tornado a imagem de marca do cinema Eastwoodiano: a subtileza. Fá-lo não através de raparigas cancerosas ou trágicos desastres de viação, mas sim de cenas de uma beleza poética, como aquela em que Eastwood fica especado à chuva ao pé da sua pickup, esperando por Streep. Muitas vezes acusado de inexpressividade crónica enquanto actor, Eastwood proporciona-nos o momento mais comovente deste filme sem dizer uma única palavra.

The Bridges of Madison County é um filme obrigatório por várias razões. Uma delas porque podemos ver contracenar duas lendas da sétima arte; Streep é também conhecida como “ a melhor actriz da nossa era”, e Eastwood, bem, julgo não cometer nenhuma atrocidade ao nomeá-lo como a maior estrela de cinema viva. O filme é também importante pelo ponto de viragem que significou na carreira do velho Clint. É verdade que antes deste realizou os excelentes Unforgiven (1992) e A Perfect World (1993), mas foi com este melodrama que Eastwood confirmou a sua evolução como cineasta de qualidade ímpar. Até na área da interpretação vê-lo fora da pele de um justiceiro solitário e durão constituiu novidade, e embora tenha posteriormente criado outras personagens inesquecíveis como em Million Dollar Baby (2004) e Gran Torino (2008), nunca mais o vimos interpretar alguém como Robert Kincaid – e provavelmente não o faremos outra vez…

 (Nota: Até dava 5 estrelas, mas a minha condição de gajo que é gajo não o permite)

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