The Station Agent (2003)

                                                              

Fin (Peter Dinklage) é um anão de meia-idade que trabalha numa loja de comboios de colecção. Os comboios, aliás, são a sua grande paixão, sendo membro de um clube que se dedica a perseguir e filmar comboios para posterior exibição aos demais. Amargurado e complexado pela sua estatura, Fin vive em reclusão constante, limitando as suas relações interpessoais ao mínimo possível. A morte do proprietário da sua loja faz com que herde uma pequeno terreno no meio de nenhures, terreno esse onde se situa uma velha e decrépita estação de comboios. Com o anunciado encerramento da loja, Fin decide mudar-se de armas e bagagens para a sua nova propriedade, onde espera encontrar as condições ideais para o seu estilo de vida marginal. Trava então conhecimento com Olivia (Patricia Clarkson), uma recém-divorciada em profunda depressão pela trágica morte do seu filho, e Joe (Bobby Cannavale), um alegre e extrovertido cubano-descendente que se encontra a substituir o seu pai gravemente doente numa roulote de comes e bebes mesmo à porta de Fin. Três almas solitárias e problemáticas que encontram na sua solidão uma base comum para criar uma forte relação de amizade e entreajuda.

 

Filme-sensação do festival de Sundance em 2003 e uma das películas independentes mais premiadas dos útimos anos, The Station Agent é uma pequena jóia que merece ser vista e apreciada pela comunidade cinéfila. A sua maior força é o modo subtil e honesto como aborda a temática da solidão nas suas mais variadas formas e motivos, transmitindo também uma forte mensagem positiva acerca das vantagens da partilha dessa condição na descoberta de amizades verdadeiras e desinteressadas.

O elenco aprensenta também interpretações de eleição, a começar pelo surpreendente Peter Dinklage. Assim de repente, é difícil lembrar-me de um filme onde uma personagem anã assuma tal protagonismo, excepto na área da fantasia ou da comédia (como no hilariante In Bruges). Dinklage não só torna credível o seu protagonismo no género dramático, como é capaz de conferir à personagem uma credibilidade e dignidade tais que o pormenor do seu tamanho não passa disso mesmo: um pormenor. Passe o jogo de palavras, Dinklage faz um trabalho gigantesco e mostra ser um actor de corpo inteiro, merecendo ser respeitado apreciado como tal.

Depois há ainda Patricia Clarkson, essa maravilhosa actriz que ano após ano deixa a sua distinta marca em vários papéis secundários, nos quais consegue sempre sobressair pela sua postura madura e talento inquestionável. Neste filme consegue finalmente uma oportunidade de brilhar na interpretação de uma personagem mais complexa do que o habitual, e o resultado não podia ser mais esclarecedor: cerca de metade dos prémios ganhos pelo filme de estreia na realização do actor Thomas McCarthy foram para ela.

Por fim, além de Bobby Cannavale, destaco também a presença sempre refrescante de Michelle Williams, a nova musa do cinema independente norte-americano, que curiosamente voltaria a integrar o mesmo elenco de Clarkson anos mais tarde em Shutter Island, de Scorsese. O talento evidenciado e o acerto das suas escolhas de trabalho – além de uma beleza singular que em parte faz lembrar uma Gwyneth Paltrow menos enfezada – faz-nos crer estar na presença de uma das actrizes de referência para a próxima década. 

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