Watchmen (2009)

Nova Iorque, 1985. Numa realidade hipotética, durante décadas o movimento dos vigilantes mascarados havia representado uma das maiores armas contra o crime. Agora, no auge da Guerra Fria, os vigilantes foram banidos devido à forte contestação popular, por decreto do próprio presidente Nixon, a cumprir um inédito terceiro mandato. Apenas um deles, o misterioso Rorschach (Jackie Earle Haley), permanece em actividade, em constante fuga da lei. Depois do assassinato de um antigo e proeminente membro do movimento conhecido como O Comediante (Jeffrey Dean Morgan) e de ataques aos ex-companheiros Ozymandias (Matthew Goode), Dr. Manhattan (Billy Crudup) e a ele próprio, Rorschach une-se a Nightowl (Patrick Wilson) e Silk Spectre (Malin Akerman) na investigação de uma possível conspiração contra os “seus”. Mas o subir do pano revelará uma ameaça ainda mais abrangente, que coloca em perigo a sobrevivência do próprio planeta…  

Ao sair da sala, os meus sentimentos relativamente a Watchmen eram algo confusos. Por um lado, enquanto fã incondicional da seminal graphic novel de Alan Moore e Dave Gibbons, o prazer que me deu ver representados no grande ecrã personagens e cenas tão memoráveis com um detalhe impressionante – louve-se a importância dada por Zack Snyder aos pormenores – bastaria, por si só, para lhe dar nota máxima.
Por outro, apenas veio comprovar a teoria defendida por muitos fãs de que seria praticamente impossível adaptar a obra de um modo que reflectisse satisfatoriamente toda a sua grandiosidade. Refiro-me, particularmente, à sua densidade narrativa e à quantidade incomensurável de informação que nos é fornecida por Moore, e ao aprofundamento psicológico das personagens. No primeiro caso, algumas cenas marcantes são omitidas no filme, como por exemplo a morte de Hollis Mason e o original (e muito mais bizarro) plano de Adrian Veidt, que por si também levou à omissão da personagem Max Shea e, por consequência, da fabulosa “história dentro de outra” que é o seu Black Freighter; No segundo, algumas personagens aparecem demasiado plastificadas. refiro-me em particular a Laurie Juspeczyk, que originalmente tinha uma personalidade muito mais forte e conflituosa, e, acima de todos, a Adrian Veidt (vulgo Ozymandias), uma personagem inesquecível cujo background e motivações por trás do seu maquiavélico plano não são aprofundadas de modo satisfatório.  

Na minha opinião, esta adaptação é, acima de tudo, um delicioso “eye candy” para os fãs da graphic novel, pois não possui valor intrínseco nem possui o detalhe necessário (nem tal seria possível) que lhe permita satisfazer um espectador que não esteja familiarizado com a obra.
Assim, Zack Snyder acaba por conseguir fazer a melhor adaptação possível de Watchmen, pelo que é indispensável o seu visionamento, desde que se tenha lido primeiro a obra para que seja possível deliciarmo-nos com os pormenores, e também que não se seja um consumidor ávido de filmes pipoqueiros e possuidor de critérios de qualidade altamente duvidosos como muitos que foram à sala de cinema à espera de ver um Iron Man ou um Spider-Man.  

In my opinion, life is a highly overrated phenomenon (Dr. Manhattan) 

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