O Ladrão do Céu (2006)

Michael St. Pierre, um ladrão profissional regenerado, vê-se obrigado a retomar a sua actividade de forma a poder pagar o tratamento hospitalar da sua mulher cancerosa, Mary. Contratado por um misterioso industrial alemão de nome August Finster, a sua missão consiste em roubar duas chaves – uma em ouro, outra em prata – em exposição no próprio museu do Vaticano. O que Michael não sabe é que as chaves possuem um significado muito superior a tudo o que ele poderia imaginar, e ao roubá-las poderá estar a condenar não apenas o futuro de Mary, mas o de toda a Humanidade.

Desde o estrondoso sucesso de O Código Da Vinci de Dan Brown que obras do mesmo género, que misturam suspense com religião ou História, invadem as prateleiras das livrarias a um ritmo quase diário. Códigos, codexes, descodificações, conspirações e similares são uma garantia quase certa de uma boa carreira nos tops de vendas (o Orelhas da RTP que o diga). Felizmente, nunca cedi a essa praga. Primeiro, porque considero que os meus requisitos mínimos de qualidade literária na escolha dos livros a ler são incompatíveis com esse tipo de obras, e depois porque, bem, gosto de ser diferente, e normalmente fujo a sete pés de tudo o que tenha demasiada adesão das massas.

Em pleno período de férias, este O Ladrão do Céu (The Thieves of Heaven no original), de um tipo chamado Richard Doetsch que fez carreira na área do marketing, veio-me parar às mãos. Como se sabe, quando uma pessoa se encontra a banhos, a vontade de enriquecimento intelectual é mínima, e não vai muito além de comprar A Bola para ler sobre as frangalhadas do Roberto nos jogos de preparação do Benfica. Por isso, acabei por fazer deste o meu livro de cabeceira durante a quinzena de férias. Algo leve e insosso, para ler ao mesmo tempo que se devora umas bolachas enquanto o sono não vem.

Não sendo, como seria de esperar, uma obra de alto nível literário, a verdade é que não deixou de me surpreender de forma positiva. É um trabalho despretensioso, sem revelações bombásticas ou conspirações rebuscadas, ao contrário de outras do mesmo género que parecem desde logo apostadas em gerar polémicas que deixem pelos cabelos um punhado de fundamentalistas religiosos. Basicamente, o protagonista rouba as chaves, arrepende-se e volta a tentar roubá-las para as devolver. Mais simples não há. Pelo meio, é esfaqueado, baleado e leva umas coças valentes. Há também um par de personagens muito interessantes, nomeadamente Finster, que é o diabo em pessoa (literalmente) e também Dennis Thal, o seu assassino a soldo, frio e cruel como poucos. Se nos conseguirmos abstrair das cenas melosas entre Michael e Mary e das incongruências entre aquilo que Finster pode ou não fazer em solo sagrado, temos em mãos um thriller competente que se lê muito bem, ideal para o período de férias ou para ter na cabeceira em alturas de muito trabalho.

 

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